Serge Gainsbourg
Antes de continuar a leitura, assista ao vídeo anexado e ouça a música, a bem da sua felicidade. A primavera, ainda que tenha chegado tímida, chuvosa, envergonhada, sempre vem e sempre virá como catalisadora do Império dos Sentidos. De que falo? Do Amor, claro está.
Serge Gainsbourg é o senhor que canta. Quem foi? Foi um extrovertido tímido, um realista surreal, um iconoclasta que queria tornar-se um ícone, um homem que bebia copos com os vagabundos e com a polícia num dia e ia assistir a filmes pornográficos com o Salvador Dali no outro, que fez amor com algumas das actrizes mais belas do mundo – como a bonita senhora do vídeo, Jane Birkin, que foi casada com Gainsbourg, e que pode ser vista muita despida no essencial filme de Michelangelo Antonioni, “Blow up”… mas acrescente-se que ele também conseguiu sacar a Brigitte Bardot, aliás primeira escolha vocal para interpretar a parte feminina nesta canção; declinou com medo que o escândalo que a música naturalmente provocou viesse a estragar-lhe a carreira – apesar de ser um bêbado que nunca era visto sem um cigarro na mão, e um tarado sexual muito feio à luz dos habituais estereótipos da beleza, que veio a morrer solitário e doente na cama, depois de uma vida inteira de auto-abuso absolutamente heróico, ou pelo menos incontestavelmente artístico.
Algumas das suas músicas mais célebres levam nomes sugestivos, com palavras condizentemente apimentadas e cheias de segundos sentidos ainda por desvendar, como “69 année érotique”, Lemon incest”, “Initials BB” (de quem falará esta canção? Sabiam que nesta ela canta?) ou “Je t’aime… moi non plus”. A canção de Amor. Também já chamada de “a mais perfeita banda sonora para pornografia”. E… porque não?

Ah Gitanes,Gitanes.Moi Gigante plus,la la la la.
Foram os Gitanes os responsáveis pela voz encalorada deste senhor. Com o SG Gigante também vamos lá (eu aprecio a marca). Talvez não tão depressa, apenas.