Henry David Thoreau (1817- 1862)
Queria viver profundamente e sugar todo o tutano da vida, viver com tanto vigor que conseguisse aniquilar tudo o que não fosse vida, empurrar a vida contra uma esquina; reduzi-la aos seus termos mais humildes…para não quando morrer, descobrir que não tinha vivido!
A frase é do Sr. Henry David Thoreau, tio-avô do movimento hippie, corifeu de Ghandi e de Tolstoi, livro-de-cabeceira de, entre outros, Martin Luther King e Christopher McCandless (do filme Into the Wild, de Sean Penn).
Este homem passou dois anos isolado da civilização, num barraco nas margens do lago Walden, absorto na contemplação da natureza. Retornado à civilização, tornou-se professor no liceu de Concord, onde exerceria até à sua morte. Fez muitas viagens, descobrindo a beleza de florestas e paisagens naturais.
A experiência do isolamento deu origem à sua obra mais célebre, Walden, or life in the woods, descrição da sobrevivência às custas apenas do trabalho manual, com descrições exactas e mesmo assim poéticas. Tornou-se um clássico da literatura como sendo um livro de proporções místicas. A passagem citada acima ficou célebre em todo mundo depois de ter sido apresentada no filme “Clube dos poetas mortos”.
Thoreau era abolicionista, amava intensamente a natureza, já naquela altura, talvez menos tablóide do que esta em que vivemos, detestava as notícias dos jornais (“poluem a nossa mente, templo de reflexões, com banalidades”), era contra o trabalho desvinculado do prazer (“degrada o homem”), panteísta, místico, solteirão e abstémio convicto, e contra as “boas maneiras”. A “estranheza” do seu comportamento deu origem a que fosse preso em 1849 quando passeava pela cidade de Concord, com a acusação de não pagar determinados impostos que financiavam a guerra com o México havia seis anos. Passou apenas uma noite na cadeia porque um anónimo (possivelmente sua tia, Marie Thoreau) pagou sua dívida - facto por ele reprovado. Na cadeia reflectiu sobre a mediocridade do estado, que se comportava como “uma criança aborrecida que chuta o cão de seu desafecto”. Prender o seu corpo não era nada; a sua mente estava inalterada. E este episódio dá assim origem a outra das suas obras importantes, que é o ensaio On the Duty of Civil Disobedience, obra essencial para qualquer libertário do espírito. Como Thoreau era.

Já li o “on the duty of civil desobedience” e claro que é um grande livro.O “Walden or life in woods “não li mas fica em carteira.Já agora parabens pelo blog.Ganharam um leitor assiduo.
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