Summer’s almost gone
Um dito popular antigo, daqueles que parecem saídos do Borda d’Água, ensina-nos que “primeiro de Agosto, primeiro de Inverno”, e de facto às vezes parece que sim. A instabilidade do clima nos últimos dias, a noite que já vem mais cedo e que já chega um pouco mais agreste são factores que nos podem convencer da infalibilidade da sabedoria popular. Ainda por cima chegámos ao meio do mês de Agosto, o que traz um sabor de fim de férias – mesmo quem não as está a gozar o sente. E é um sabor amargo, daqueles que se instalam no âmago para nunca mais querer sair…
É justamente para contrariar a típica “pré-depressão” do quase-fim-de-férias que o Tubo d’Ensaio escolhe esta altura para trazer para a rua o Festival de Bandas “Noites no Forte”. De Terça (amanhã) a Domingo, pelas 22 horas, as bandas da Figueira da Foz vão subir ao palco que vai estar junto ao Forte de Santa Catarina, para destilar suor e esperemos que também espalhar alegria. Ou quaisquer outros sentimentos de ponta. A bem dos nossos âmagos retraídos. Para terminar (?) o Verão em grande.
Amanhã vamos ter Vítor Laborda, Feather Storm e Grimlet. Para vossa consulta, o restante cartaz está aqui - http://www.tubodensaio.com.
Vemo-nos por lá.
Reflectir
Hoje, apenas um link para um vídeo que nos proporciona alguma reflexão. Por exemplo, sobre o consumismo no nosso mundo, ou sobre as relações humanas…
http://videolog.uol.com.br/art288_skylab
Alexandre Soljenitzyne (1918-2008)
Alexandre Soljenitsyne faleceu este domingo às 23.45, com a idade de 89 anos. Sobreviveu aos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Aos Gulags de Estaline, cujo quotidiano de tragédia relatou depois nas suas obras. Ao exílio involuntário que o forçou a deixar a União Soviética, o país que amava e do qual não quis sair em 1970 para receber o Prémio Nobel em Estocolmo com medo de não poder voltar, mas sendo depois expulso e obrigado a viver nos EUA, país cuja cultura de massas e consumismo desprezava.
Uma vida ímpar, vitimada por uma insuficiência cardíaca.
Um dos poucos sobreviventes que provou que é possível mover mundos sem exércitos. Também é possível fazê-lo com alguma solidão, muita tenacidade e principalmente palavras.
Para reflectir nos obstáculos que vão surgindo
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade
(talvez o Maior Poeta da Língua Portuguesa de sempre)
Ainda sobre o Prémio Camões
Li algures que Ruy Espinheira Filho, que presidiu ao júri da 20ª edição do Prémio Camões, admitiu que este ano «o júri decidiu que centraria a sua discussão somente em escritores brasileiros».
A “confissão” põe em causa os critérios de atribuição do prémio, porque não é admissível que o júri do Prémio da Literatura Lusófona se centre apenas em autores de um país entre os vários possíveis. E isto dias depois de a CPLP se ter reunido em Lisboa, onde, em discursos bonitos do nosso Presidente e de outros ilustres daqui e de outros lugares da Lusofonia, foi afirmado que temos de trabalhar para construir uma plataforma de aproximação entre as línguas e culturas destes países.
Atenção: não ponho em causa a atribuição do Prémio a João Ubaldo Ribeiro. Ainda ontem louvei o autor, a qualidade da sua obra é inquestionável. Só que é necessário perceber as razões pelas quais o júri decidiu centrar a discussão apenas em escritores brasileiros. Mais ainda porque Ruy Espinheira Filho ainda declarou que não se estava a trair o espírito do Prémio…
Bem, basta ver, na Wikipedia que seja, a lista de todos os premiados para perceber que tem existido uma certa rotatividade na atribuição do Prémio Camões no que diz respeito à proveniência dos autores, o que só por si nos faz desconfiar que o júri ora se vira para aqui ora para ali, conforme sabe-se lá que tendências, mas daí até admitir isso publicamente…
Comprimidos para a alma
Bob Dylan, Most Likely You Will Go Your Way (And I`ll Go Mine)
Prémio Camões
Este ano o prémio Camões coube ao brasileiro João Ubaldo Ribeiro, pelo, cito, “alto nível de sua obra literária, especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil”.
É o escritor brasileiro mais conhecido e traduzido desde Jorge Amado, e autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos – livro polémico que foi banido de algumas livrarias aqui em Portugal e no Brasil devido ao seu conteúdo fortemente erótico – e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido esse último utilizado como samba-enredo pela escola Império da Tijuca, no Carnaval do Rio de Janeiro de 1987. Máxima e superior consagração nesta festa maior do nosso país irmão.
Os nossos parabéns ao autor, que quem não conhece deve descobrir com urgência.
La Guernica, outra vez, nunca mais
Já não é a primeira vez que falo aqui sobre a Guernica. Como se sabe, retrata o bombardeamento da cidade espanhola com o mesmo nome pelos nazis, no dia 26 de Abril de 1937, em plena Guerra Civil. A partir deste cenário de horror Picasso criou este autêntico mural de proporções épicas, que retrata de forma alegórica o caos provocado por esta e por todas as outras guerras.
Fevereiro de 2003. No edifício das Nações Unidas, uma cópia do mural, exposto na entrada do Conselho de Segurança, foi tapado aquando da visita de Colin Powell às instalações.
Na altura, a explicação foi: os traços vigorosos da obra dificultariam o trabalho dos operadores de câmara. Mas no dia seguinte a maioria dos diplomatas confessaria aos jornalistas que tinham sido pressionados pela Administração Bush a tapar a Guernica enquanto Powell discursava sobre a guerra no Iraque.
Então, volto a contar a história que contei da outra vez: um oficial nazi, ao ver a pintura, perguntou a Pablo Picasso: “Foi você que fez isto?”.
Ele respondeu: “Não. Foram vocês”.
Standing next to me…
São novos, andam nos vinte e poucos, notam-se ainda uns restos da acne recente. Um deles é o Alex Turner dos Arctic Monkeys, o outro é o Miles Kane dos Rascals. Também lá anda o Owen Pallett dos Arcade Fire, a fazer as orquestrações. São os Last Shadow Puppets. São engraçados. Uma pinta retro. Uma produção fora de série. Até estão nomeados para o Mercury Prize, ao lado dos Radiohead…
Press play and listen.
O Gentleman visitou Lisboa…




